Ao comentar os três primeiros episódios de The Walking Dead, manifestei minha preocupação com os rumos da série, após o início brilhante, seguido de outras duas partes que não acompanharam o êxito inicial. Felizmente, meus temores não se confirmaram e o que nos foi oferecido na seqüência foi um material de altíssimo nível, intrigante, emocionante e desafiador.O episódio 4 teve como ponto de partida a frustrada missão de resgate de Merle. Além de ter ido em busca do irmão de Daryl, Rick tinha como objetivo maior - pelo menos, assim justificou - recolher a sacola de armas que deixara para trás após a fuga desesperada assim que chegara a Atlanta e se refugiara no tanque.
Como vimos, Merle não estava mais lá, apenas a sua mão. Uma rápida busca nos revelou que ele escapou do prédio, após ter cauterizado a ferida num fogão. "Meu irmão é o cara mais durão que eu já conheci", diz Daryl, orgulhoso, ao ver que, além de suportar uma dor incalculável, Merle fora capaz de matar alguns zumbis em sua fuga, mesmo com apenas uma mão. Estranhamente, porém, devo dizer que me surpreendi como Daryl, no restante do episódio, e nos dois seguintes, parece ter simplesmente se esquecido do desaparecimento do irmão, a não ser por um breve momento de revolta no acampamento.

A busca pela sacola de armas revelou um novo grupo de personagens, que primeiro sequestra Gleen e depois desafia Rick e seus companheiros. A tensão criada no pré-conflito dos dois grupos foi bastante interessante e eficiente. Para nossa surpresa, a facção comandada por Guillermo não se tratava de rebeldes em busca de sobrevivência no caos, mas sim generosos seres humanos, que mantinham, em meio as dificuldades, um asilo em pleno funcionamento. A entrada em cena da vovó, interrompendo o crescente clima de tensão e expondo a verdadeira face do lugar, soou bem como uma metáfora da mãe que põe seus filhos no devido lugar.
Apesar disso, o grande momento do quarto episódio foi o ataque ao acampamento, enquanto Rick e seus companheiros retornavam. Ainda que não tenha sido explícito, creio que a invasão dos zumbis tenha sido obra de Merle, já que o furgão que levara Rick e seu grupo à cidade, desaparecera. Um tanto quanto forçado imaginar que ele conseguiu transportar e "soltar" tantos deles em torno do acampamento, porém seria uma vingança natural, principalmente levando-se em conta que ele não sabia do retorno de Daryl e outros para salvá-lo.
A invasão do acampamento terminou ceifando a vida de vários personagens, além de ter colocado em xeque a segurança do lugar, forçando-os a tomarem a difícil decisão de partirem e, com isso, novamente separarem-se. Entre as baixas, a mais emocionante foi a de Amy, cujo destino, confesso, surpreendeu-me. Não foi apenas sua irmã que clamou por sua volta, também lamentei o passamento da personagem.
O quinto episódio deu seqüência a atormentante despedida de Amy, nos braços da sua irmã
Andrea, que a amparou durante toda a madrugada e até o momento que a transformação em zumbi se concretizou. Nesse momento, ela sentiu a irmã realmente "morta" e a decisão de atirar em sua cabeça foi a de libertá-la, algo que James não foi capaz de fazer com a esposa.Outra vítima do ataque foi Jim, que desde o episódio anterior, já dava sinais de demência, dizendo coisas sem sentido ou cavando buracos a esmo, que depois serviram como ponto de partida para o enterro das vítimas. A intenção de salvar Jim gerou um pequeno conflito no grupo, mas serviu também como o estímulo necessário para abandonarem o acampamento e irem em busca de uma suposta segurança em instalações militares que ainda pudessem estar resistindo.
Uma vez mordido, todos tinham consciência que o estado de Jim era irreversível. Só que em situações limites como as vividas pelos personagens de The Walking Dead, o limite entre a vida e a morte pode residir em se estar motivado ou não. Encontrar uma base militar já seria difícil, encontrar e ainda curar Jim era algo impossível, porém, esse fio de esperança foi o condutor pelo qual Rick convenceu seus companheiros, ainda que ressabiados, a levantar acampamento.Antes de partir, Rick deixou instruções para James e seu filho, reforçando a hipótese que o personagem retornará na próxima temporada. No caminho, como era de se esperar, Jim não resiste e, antes que se transforme num zumbi, pede que seja abandonado pelo grupo. Ao contrário de Amy, não vemos sua morte, mas é improvável supor que ainda reaparecerá.
Sobre a carava, aliás, dois momentos me chamaram negativamente a atenção: a primeira, a facilidade com que Daryl acompanha o grupo, renunciando, a princípio, da vontade de ainda tentar salvar o irmão; a segunda foi no abandono de Jim, cuja parada do caminhão havia sido propiciada por um problema na mangueira, que poderia ser resolvido, talvez, se houvesse um posto mais adiante, algo que parecia. Entretanto, no mesmo instante, a situação crítica de Jim monopolizou as atenções e, em seguida, todos arrancam com os carros sem problemas, incluindo o caminhão.
O fim do quinto episódio e início do sexto, nos apresentou o Dr. Jannes. Acho que muita gente se lembrou da Iniciativa Dharma na hora que o vídeo da gravação do médico surgiu na tela, com o relato das suas experiências. Isolado num complexo, o doutor serviu como tábua de salvação a Rick e seus amigos, ao abrir a "porta da esperança" que lhes permitiu escapar com vida de um iminente ataque de zumbis.
Outra parte do episódio que me lembrou Lost foi, é claro, a contagem do relógio, que aqui também guardava um segredo. Nesse caso, porém, a revelação foi rápida. Antes de descobrirem que Jannes cansara da vida e explodiria junto com o complexo, Rick e toda a sua turma gozaram de bons momentos, alimentado-se bem, bebendo vinho e tomando um demorado banho quente. Esta foi, aliás, a segunda cena de banho em apenas seis episódios - a anterior fora de Rick, James e seu filho - servindo para ilustrar o fecho de um momento de tensão e a "purificação" dos personagens. Todos se divertem, exceção feita a Shane, que a cada momento se desespera um pouco mais com a perda da atenção de Lori e hesita entre a felicidade de ter o amigo Rick de volta e o arrependimento de tê-lo salvo a vida, como nos é mostrado, na reconstituição da cena do hospital, do início do episódio um.

"Esse é o nosso evento de extinção", informa o resignado Dr. Jannes, enquanto explica ao grupo o funcionamento de suas máquinas, de como outros focos de resistência foram destruídos e de como o zerar do relógio colocará fim ao prédio. Desesperados, já que ainda não querem desistir de lutar pela sobrevivência, Rick convence Jannes a libertá-los momentos antes da explosão. Antes de partir, entretanto, o doutor cochicha algo no ouvido no policial, algo que é imperceptível aos telespectadores, um segredo dos dois que poderá - ou não - nos ser revelado futuramente.
A explosão que destrói o prédio, estranhamente, não causa qualquer dano aos veículos estacionados em frente. Sendo assim, todos podem embarcar e seguir um novo caminho. A primeira temporada se encerra num nível bastante alto e as perspectivas para a segunda são as melhores possíveis. Contratempos envolvendo a demissão de roteiristas - espera-se - não devem atrapalhar o desenvolvimento do projeto de Darabont. As vendas da graphic novel dispararam, mas continuo sem intenção de conhecê-las, pelo menos por ora. Seguirei assistindo a série sem nenhuma informação externa. The Walking Dead deve ter 13 episódios em sua segunda temporada e desde já começa a contagem regressiva para conhecermos mais desse universo fascinante dos zumbis num mundo devastado, um tema que parece batido, mas que pode oferecer muito, principalmente quando foca no resto de humanidade que ainda resiste em meio ao caos.
2 participações eufórico melancólicas:
A melhor série do ano!
O melhor blog do meu .... Bairro!!!
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A série é mesmo fenomenal e, como não poderia deixar de ser, tem seus deslizes; o que não alteram o resultado final.
Como foi dito pela mídia: "uma série de zumbis que explora o lado humano, sem cair no clichê dos filmes do gênero". E que venha a segunda temporada!
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