Na correria do cotidiano, às vezes, não percebemos a passagem do tempo em nós mesmos. Não há uma receita de bolo que determina os passos de cada um, mas o script é, mais ou menos, geral para todos: nascimento, infância, adolescência, adulto, maturidade, idoso... e morte. Muitos queimam etapas, vão antes, deixando dor nos que ficam, outros tantos praticamente não tem infância, logo a responsabilidade da vida os transforma em maduros. Há ainda aqueles que chegarão a idosos, entretanto, no fundo, nunca passarão muito de crianças.
O tempo passa depressa, hoje todos têm a sensação que os dias estão cada vez mais curtos. Graças, é claro, a incessante corrida diária de imensas responsabilidades sobre o... nada. Hã?! Sim, sobre o nada. Somos, na grande maioria, incluindo este que vos escreve, grandes protagonistas do nada. Nossas vidas são repetições diárias do que foi ontem e do que será amanhã. Escrevemos um roteiro para nós e é ele quem seguimos todos os dias. Quanto mais o tempo passa, mais difícil fica a possibilidade de escrever novas páginas. É sempre mais fácil, como fazem os autores de novela, requentar histórias que você já conhece.
Mesmo passando depressa, o tempo, sobre nós, tem um efeito silencioso. Não há previsão de quando vamos morrer, adoecer, perder a disposição para certas coisas. Não saímos com um guia da maternidade, nosso manual de instruções são os pais, a família e, logo, nós mesmos e o imenso mundo de referências que vamos absorver. Entender essa passagem do tempo e como ela altera inclusive nossos sonhos e/ou objetivos, é, vá lá, uma das "belezas" da vida.
Ainda que se diga que "nunca é tarde", "sempre é hora" e outras bobagens do gênero, a verdade é que o tempo é um limitador que não está só na cabeça, está também no físico. Conforme vão se passando os anos, vai se entendendo que as escolhas não podem mais serem baseadas no impulso, na emoção... há que se ter a razão em primeiro lugar, ponderar, analisar e, ainda assim, por ser humano, cometer erros.
Num final de semana você é capaz de andar de bicicleta duas horas e, em seguida, jogar futebol por mais duas horas e ainda pedalar outras duas horas de volta para casa. Ainda é capaz de sair à noite e só retornar para casa com o dia claro. Em outro, de repente, você está cansado. Aparecem problemas de saúde que você nem conhecia e uma breve reflexão lhe expõe a verdade: você nunca mais terá um sábado como aquele.
6 participações eufórico melancólicas:
Já refleti seriamente sobre isso, e até hoje não consigo entender se, de fato, nós vivemos toda a nossa vida, ou se é tudo uma grande inutilidade mal desenhada.
Abraço! ;)
http://anpulheta.blogspot.com
NOssa, o nome do blog corresponde ao conteúdo =)
Isso de temporalidade considero muito bom para se pensar. Acho que nos ajuda a rever prioridades e conceitos.
Abraços
Aquela frase do Lennon parece se aplicar bem ao contexto: "A vida é aquilo que acontece enquanto você está planejando o futuro." Tudo é tã corrido que já perdemos a noção do que é viver.
Belo post!
;D
senti um pouco de depressão neste texto... mas o pior é que é tudo verdade. beijos!
Parabéns pelo blog e pela crônica.
Me fez pensar muita coisa e acredito que om objetivo da escrita e mexer com o sentimento, tem que mover algo, e seu texto me moveu.
Vou seguir seu blog e divulgar no meu.
Aguardo uma visita assim que puder.
http://sabordaletra.blogspot.com/
Ola, primeira vez que visito.
Texto muito bom que me fez refletir p o meu momento. Estou sendo intimada para voltar a academia. Me foi quase que exigido, rs. Só eu que não sei se tenho saco p isso, rs. O tempo que vemos passar é quando nos entupimos de porcarias, como comida gordurosa, hábitos não muito saudáveis como ir p night e beber, voltar de manhã equando co corpo pede socorro? Vemos o tempo passar até que ele nos dá um sinal de stop e todos começam a te dizer, que vc não é mais um garotinho(a). Tem coisas que não voltam, uma é o nosso corpo de 20 anos.
abraços.
seguindo
http://precisomeexpressar.blogspot.com/
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