A disputa entre José Serra e Dilma Rousseff é só a ponta mais visível das várias que estão ocorrendo paralelamente à eleição presidencial.
1) Lula x FHC: Essa é clássica. Já foi tema quando Lula venceu Serra e, depois, Alckmin. Voltou à carga agora, principalmente no segundo turno. Não é de se estranhar, afinal de contas, Lula e FHC são os dois políticos mais importantes do país nos últimos vinte anos. Para desespero dos tucanos, porém, Lula alcançou uma popularidade que FHC nunca sonhou, nem nos melhores momentos do Plano Real, mesmo que seus defensores insistam em dizer que tudo de bom que há no governo Lula foi uma simples continuidade;
2) Imprensa x Imprensa: No governo de FHC, mais de 90% da verba publicitária estava nas mãos das quatro grandes famílias da mídia brasileira: Marinho, Civita, Frias e Mesquita. Com Lula, eles ainda têm a maioria, mas a verba foi distribuída a outras emissoras de TV, jornais, revistas, etc. Com isso, tivemos a ascensão, por exemplo, da Isto É e da Carta Capital. Não por acaso, a disputa presidencial é também uma disputa entre a imprensa, guerra que foi declarada abertamente com as recentes capas da Veja e da Isto É atacando, respectivamente, Dilma e Serra;
3) Globo x Record: Dentro da briga da imprensa, Veja, Época, Isto É e Carta Capital fazem barulho, mas pesos pesados mesmo são as emissoras de TV. Depois de décadas, a Globo, finalmente, tem alguém que lhe ameace o primeiro lugar, ainda que esta possibilidade esteja longe de acontecer: a Record. A emissora do bispo Macedo cresceu amparada na contribuição dos fiéis da Igreja Universal, porém hoje já tem programação e faturamente sólidos, proveniente de poderosos anunciantes. A programação, claramente baseada na da Globo, alcança índices de audiência generosos e a rede avança onde antes a Globo imperava sozinha, como nas novelas e reality shows, além do esporte, no qual a Record conquistou a exclusividade sobre as próximas Olimpíadas e promete tomar o Brasileirão num futuro próximo. Na linha jornalística, Paulo Henrique Amorim, Rodrigo Viana e Luiz Carlos Azenha, três entre tantos outros ex-globais, formam a linha de frente da internet contra aquilo que se convencionou chamar de "velha mídia", ajudando a desconstruir, diariamente, os fatos contrários à campanha de Dilma;
4) Malafaia x Macedo: A religião de maneira geral, e os evangélicos em particular, ganharam bastante destaque nestas eleições, principalmente no final do primeiro turno e no início do segundo, enquanto o tema do aborto interessava ao candidato José Serra. Agora, como se percebe, ninguém mais toca no assunto. Nessa "guerra religiosa", dois pastores muito conhecidos, Malafaia e Macedo, confrontaram-se publicamente, através de seus programas de TV e até mesmo no Twitter. Malafaia, que inicialmente apoiava Marina, saiu atirando contra ela e passou para o lado de Serra. Dizem que a promessa da concessão de um canal de TV foi a responsável pela mudança. Já o bispo Macedo, dono da Record, apoia abertamente a candidatura de Dilma. Ele não é bobo. Na medida em que a Globo massacra Lula e seu governo, ele abriu os braços e se tornou uma "outra opção" na TV aberta;
5) Internet x "Velha" mídia: Essa é a primeira eleição no Brasil na qual a internet realmente está interferindo. Foi-se o tempo em que as informações eram absorvidas apenas através da TV e dos grandes jornais e revistas. A internet revolucionou a informação. A "velha" mídia ainda tem muita força, não se duvide disso, porém a rede mundial trouxe uma democratização absolutamente fantástica. O que antes aparecia no Jornal Nacional como verdade absoluta, hoje é destruído na internet horas depois. Youtube, Twitter, Facebook, Orkut, blogs, sites, tudo isso virou de pernas para o ar o que se entendia por comunicação. E isso que nenhum candidato no Brasil soube usar a internet como fez Obama.
4 participações eufórico melancólicas:
O Brasil adora um dualismo, é um mundo maniqueista.
Mas se preocuparem de verdade com as questoes politicas ninguem quer.
abças e boa sorte!
sensacional o post. esse duelo em diversas áreas no que se refere a política demonstra claramente quem apoia quem. sem dúvida o ápice disso foram as capas da revista veja e isto é. idênticas em conteúdo, ou seja, teremos que escolher o menos pior para presidente.
De grande utilidade seu blog. Gostei.
Diga-se de passagem: "Marina foi o Tiririca da eleição presidencial" foi muito bom. (risos)
http://olharesin.blogspot.com
A Internet realmente revolucionou com a Eleição. Prova disso é o tempão que os candidatos gastam com Twitter.
Postar um comentário