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domingo, 10 de outubro de 2010

A escolha é para presidente. Não para pastor ou padre.

É uma pena que esta questão do aborto esteja servindo a fins eleitoreiros. De repente, aparece um monte de gente preocupadíssima com isso, mas a gente não vê durante o resto do ano essas mesmas pessoas muito preocupadas com a quantidade de mulheres que fazem aborto em verdadeiros açougues Brasil afora.

Talvez porque isso seja, prioritariamente, coisa de pobre, já que rico pode fazer em clínica particular, discretamente, com o médico da famíia.

Nossa sociedade hipócrita quer que os candidatos se declarem contra e assim poderão deitar novamente a cabeça sobre os travesseiros e dormir confortavelmente, fazendo de conta que está tudo certo.

A Dilma não se declarou a favor do aborto, mas sim contra a criminalização. É diferente, mas para entender precisa querer (ou conseguir). Como no momento o interesse é só confundir e ganhar a eleição, vai tudo para a mesma vala comum.

O aborto é sim um caso de saúde pública e deveria ser encarado sem hipocrisia, mas isso é pedir demais. O Estado é laico e não é ele quem deve decidir o que uma mulher fará ou não com o seu corpo. Além do mais, o aborto já é previsto em lei e muita gente que está reclamando agora nem sabe disso.

Se a Dilma (ou Serra, FHC, Palloci ou o diabo a quatro) fosse favorável ao aborto, não poderia dar um canetaço e liberar geral, como os tolos creem (ou fazem de conta crer). Tem que ter uma longa discussão, passando pelo Senado e Câmara. Logo, é um terrorismo bobo e eleitoreiro.

Repito, o Estado é laico. Religião não deveria entrar no debate. A escolha é para presidente, não para o pastor ou o padre. Há alguns anos, o FHC se declarou ateu e depois teve que voltar atrás, justificando-se contra a patrulha que caiu sobre ele. Patrulha, aliás, naquela época, que o PT ajudou a fazer, pois o Lula tentou explorar isso. Feitos os "esclarecimentos", todos os hipócritas puderam voltar a dormir em paz e ele seguiu com sua campanha.

5 participações eufórico melancólicas:

[Paulo­­ϟArthur] disse...

parabéns pelo blog adorei!

Hugo Pessoa disse...

Não poderia concordar mais com você nessa parte "o Estado é laico(...) A escolha é para presidente, não para o pastor ou o padre", por outro lado, o público religioso é numeroso, e os políticos não querem perder seus votos, por isso, como você disse, o FHC não pôde se declarar ateu, por exemplo.

Essa confusão do aborto desvia a atenção, e perde-se tempo que deveria ser usado para discutir sobre os principais projetos de cada candidato.

Cada um pode ter a religião que quiser no Brasil, não são os católicos que devem ter a voz para decidir isso ou aquilo, tem que ser algo discutido de forma mais ampla, e como você disse, é claro, decisões tais como essa não cabem apenas ao presidente da república, por isso essa discussão se torna ainda mais inútil.

Sobre o aborto já ser previsto em lei, imagino que você se refira ao aborto em casos de estupro.

Dam. disse...

Torço para liberação do Aborto. Afinal onde esta o livre arbítrio... E uma mãe, é obrigada a carregar o gravidez indesejada e no final abandonar a criança é pior ainda. As pessoas só enxergam aquilo que elas querem enxergar. Adorei o post, abraço^^
Aparece depois http://dresputs.blogspot.com/

Manoella disse...

O Estado deveria ser laico. É lamentável que fanáticos religiosos consigam manipular de tal modo o comportamento dos candidatos, gerando toda essa hipocrisia a que se refere, sem perceber a grave questão da saúde pública e sem dar liberdade de escolha ao próximo. Eles desejam uma democracia, mas querem sempre se impor, e estão conseguindo... Particularmente, sou contra o aborto, embora seja a favor da legalização do mesmo.

Em relação a suposta declaração da Dilma, bem... Não é a primeira vez que se envolve em polêmicas com as Igrejas por coisas que não disse. (Me refiro a declaração, nunca feita, em que dizia que nem Jesus a impediria de ganhar.) Uma pena que destorçam as palavras dela. Essas distorções são prejudiciais para o país, que perde tempo com polêmicas com essa enquanto poderiam estar sendo debatidos temas de real importancia política.

Rabib disse...

Já dizia o sociólogo Samir, o Estado é laico, o povo não!!!!