segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Semana do Professor: os políticos e a imprensa

Esta é a semana em que se comemora o Dia do Professor. A data específica é na próxima quarta-feira, 15 de outubro. Estamos num ano muito importante para os educadores, afinal de contas, é ano de eleição. E Dia do Professor em ano de eleição é o auge. São momentos nos quais, realmente, o professor se sente valorizado, lembrado, reconhecido, bajulado, enfim, é um tal de "herói" pra cá, "mestre" pra lá, que aqueles que se formaram há pouco tempo e ainda não conhecem bem essas artimanhas, até se empolgam.

A partir de hoje, provavelmente, assistiremos nos telejornais séries especiais sobre a educação e o papel do professor, mostrarão realidades distintas em diferentes lugares; nos programas políticos, os candidatos a prefeito que estão no 2º turno encherão a boca para falarem de seus projetos de valorização profissional e, é claro, o Jornal Nacional mostrará alguma velhinha no interior do Brasil, que sem apoio nenhum, apenas pela "vocação" e a vontade de ajudar, coloca algumas cadeiras no meio da sala e leciona para as crianças que não tem como andar 5km todas as manhãs para irem estudar.

Infelizmente, todo esse ímpeto em nome do conhecimento se desmancha assim que os disquetes dizem se o sujeito está ou não eleito. Caso tenha perdido, não está nem aí, lógico. Mas, caso tenha sido um dos escolhidos, o discurso imediatamente muda para contenção de despesas, Lei de Responsabilidade Fiscal (ela é sempre invocada de acordo com os interesses), estabelecimento de prioridades e assim por diante.

Volta-se, então, a realidade do cotidiano cheio de dificuldades, de escolas em péssimo estado de conservação, sem infra-estrutura, de profissionais mal remunerados no presente e sem grandes perspectivas em termos de futuro, à mercê de um contexto no qual o professor está se transformando (se é que já não é) no elo mais fraco dessa corrente que tem de um lado pais e alunos e do outro direção, leis e políticos. Quando a paciência e as possibilidades de negociação se esgotam, alguns ainda insistem no caminho da greve. Pouco tem funcionado, a não ser para colocar o professor no papel de vilão e unir, como na época de votação, imprensa e políticos no mesmo discurso, porém desta vez com enfoque totalmente diferente.

* Amanhã escrevo sobre os alunos.

10 participações eufórico melancólicas:

rosangela disse...

Infelizmente vc tem toda a razão ..não só em quetão de ensino, professores .. mas tudo que ela "promentido" hospitais, remédio de graça, segurança .. enfim ..

Mas tudo isso, nos podemos tentar mudar, invetigando quem é quem antes de colocar no poder ..

Abç..

Gran Magic Carmesin: Nat Valarini disse...

Boa tarde!

Muito interessante e realista o seu blog.

Imagino o quanto deve ser difícilo trabalho do professor: cansativo, repetitivo e mal remunerado.

Moro no distrito federal e sempre que há eleições, vejo políticos querendo abocanhar esta fatia de eleitores com promessas que não podem cumprir...

Precisamos de uma política correta para a educação queforneça ensino de qualidade para estudantes e melhores condições de trabalhos para os profissionais.

Issosó será possível através do voto consciente, afinal, é através dele que são eleitos os futuros governantes.

É preciso acabar com o ciclo vicioso.

Parabéns pelo teu blog!

carla m. disse...

Marcos, a realidade da grande massa é essa mesmo.

Mesmo em realidades mais amenas - tenho acompanhado algumas - o professor tem se tornado o elo mais frágil. Mas há outros elementos no meio desse processo: a gradativa perda da noção de comunidade, que transforma a escola em prestadora de serviço - e o professor em produtor de aprendizado; a mudança nos padrões da família; e se como isso tudo que tu disse mais isso não bastasse, a violência do resto da sociedade invade a escola.

depois me perguntam por que ser professor é temporário na minha vida...

abraço,

Leonardo Dognani disse...

Poxa, desde moleke até os dias de hoje, eu enxergo o rofessor como uma profissão de HONRA e de grande prestígio! Também vejo assim os médicos e os Policiais, assim como bombeiros.
Mas Professor e Policial eu creio que deveriam ser profissões MUITO valorizadas, e acontece justamente o contrário!
Acredito que o papel dessas 2 profissões definem boa criação e qualidade de vida, no caso, uma evolução geral!
Infelizmente vemos uma realidade desgostosa em ambas...
Mas, tudo muda e se transforma, e sempre devemos acreditar como pessoas capazes de lutar, e não como sonhadores desesperançosos.
=)

Abraços.

Leonardo Dognani disse...

acrescentando ainda:

Infelizmente, também existem muitos professores que se adequam a essa realidade e literalmente cagam e andam p educação real de seus alunos, eu tb tive problemas com muitos devido meu problemas com autoridades e hierarquias, mas sempre me dava bem com professores interessados, pq eu era bem interessado em assuntos "extras" nas aulas, como poema que praticamente todo prof de literatura e português adorava^^

abraço

Paula disse...

Olá, Marcos. Acho que a profissão de professor é uma das mais belas que existe. Eu dou aulas também, mas há muito já venho desistindo disso. Não vejo retorno e gratificação. E não é questão financeira, é o descaso e a falta de respeito que vivemos atualmente. Infelizmente, os valores estão invertidos e aluno hoje é sempre um cliente e por pior cliente ele seja, algumas instituições não percebem outra coisa senão o $$$. Se não me engano, você é professor, por isso, parabéns pelo seu dia!
abraços

Roberto disse...

Parabéns! Realismo isso, infelizmente. Queria poder dizer que não é nada disso, mas, há como? Não. Talvez no futuro eu entre para a classe, e o que ja escutei de "Professor? Vai morrer de fome!" Não é brincadeira, mas admiro tb aqueles que fazem por amor; se os políticos fizessem por amor tb ou nem por isso, mas por consideração ao menos, ao país, aos que os elegem, talvez as coisas fossem diferentes.

Hugo Bessa disse...

essa "valorização" do professor deveria realmente durar o ano todo, e não só em época de eleição. aliás, devia ser a profissão mais valorizada do mundo, já q é a mais importante. a base de tudo.
abraço

Didi disse...

Marcos, me desculpe por ainda não ter colocado vc lá no meu novo endereço, mais é que estamos arrumando algumas coisas ainda. Vou estar colocando você hoje ainda no meu blog, só vou fazer o novo banner padrão do meu blog e colocá-lo.

Mude o meu endereço no banner do seu blog para :
http://www.conquistadoresde.info

Obrigado.

abs

Marcelo disse...

Marco,

Este é um assunto que tenho evitado falar, mas abro uma exceção aqui. Depois de 14 anos de magistério, um mestrado e um doutorado, constato que muito pouca coisa mudou. Educação continua sendo uma das coisas mais esculhambadas desse país (que se faça justiça também mencionemos a saúde em 2º lugar).
Os resultados são pífios e o governo mostra aquela mulher apresentando a melhora no IDEB, mas esquece de mencionar que o IDEB toma como um dos fatores a aprovação e evasão e alguns estados mascaram isso o quanto podem com sistemas de aprovação automática.
O reflexo são os cursos de licenciaturas que nos últimos 10 anos apresentaram uma redução de procura de mais de 60%.
Pois é... mas quem vai querer lecionar para receber 500 reais de piso (Rio de Janeiro), dar aula em salas com mais de 50 alunos, não ter condições de trabalho e ainda ser responsabilizado por tudo que acontece ao aluno?
No final, passa todo mundo, os índices apresentam crescimento e ficam todos felizes e cantando enquanto os palhaços e malucos dançam...

desânimo...